A ingestão de alho por cães é uma situação de risco. “A ingestão de alho pode gerar uma intoxicação leve a grave dependendo da quantidade ingerida e o peso do animal” diz a médica-veterinária Dra. Bárbara Donato. Com orientações claras, ajudaremos o responsável a identificar os sinais clínicos e como agir a fim de proteger a saúde do pet.
Por que o alho faz mal para os cães?
Quando se fala em alimentação canina, o alho é sempre um tema sensível. Na medicina humana, o alho traz inúmeros benefícios, mas quando transferirmos para a saúde canina, isso é um equivoco. “O alho contém tiossulfatos, compostos oxidantes que destroem os glóbulos vermelhos, células reponsáveis pelo transporte de oxigênio, e podem causar anemia hemolítica” relata Dra. Bárbara.
Em casos mais graves, os sintomas não demoram a aparecer. E, por isso, deve-se agir rápido ao perceber que o cachorro comeu alho. O alho não deve ser oferecido intencionalmente aos cães. O risco varia conforme a quantidade, o peso do animal, a frequência da ingestão e a apresentação do alimento, como alho cru, cozido, em pó ou desidratado.
Sintomas que indicam intoxicação por alho
Os sinais de intoxicação podem surgir de 6 a 72 horas após a ingestão. Fique atento aos sintomas:
Sinais digestivos:
- náusea ou salivação;
- vômito;
- diarreia;
- dor abdominal;
- diminuição do apetite.
Sinais relacionados à anemia:
- fraqueza;
- apatia;
- gengivas pálidas;
- respiração ou frequência cardíaca acelerada;
- intolerância ao exercício;
- urina escura, avermelhada ou amarronzada;
- desmaio ou dificuldade para permanecer em pé nos casos graves.
- Respiração acelerada
Ao notar um ou mais desses sintomas, o ideal é procurar atendimento com urgência. No entanto, se você viu o cão ingerindo o alho, leve ao veterinário imediatamente. Alguns sinais digestivos podem surgir nas primeiras horas, mas as alterações relacionadas à anemia podem aparecer somente após alguns dias.
O que fazer se meu cachorro comeu alho?
A primeira providência é manter a calma. Em seguida, deve-se verificar quanto alho foi ingerido e quando ocorreu. Caso a ingestão tenha sido recente, não tente provocar vômito e não ofereça leite, óleo, carvão, medicamentos ou outras soluções caseiras. Dependendo do tempo transcorrido e da condição do animal, o médico-veterinário decidirá se alguma medida de descontaminação é indicada.
O atendimento pode incluir exames de sangue, observação, fluidoterapia e outras medidas de suporte. Casos mais graves podem precisar de internação e tratamento da anemia..
Como prevenir casos de intoxicação por alho?
Evitar esse tipo de situação é simples. Alho, cebola, cebolinha e outros alimentos potencialmente tóxicos devem ser mantidos fora do alcance do animal. Também não se deve oferecer restos de comida humana.
O responsável precisa ficar atento a alimentos industrializados temperados, que também contêm alho. A melhor maneira de prevenir é manter uma alimentação adequada e segura para o pet.
A atenção aos ingredientes dos alimentos oferecidos diariamente fará toda a diferença na saúde do seu cachorro.
Como evitar que o cachorro coma alho novamente
Manter seu cachorro seguro exige mais do que apenas vigilância. Com a orientação certa, alguns produtos podem ajudar no bem-estar e na prevenção de acidentes alimentares. De acordo com a Dra. Bárbara, é indicado:
- não deixe o cachorro na cozinha durante o preparo;
- recolha imediatamente alimentos que caírem;
- mantenha temperos e suplementos em armários fechados;
- use lixeira com tampa ou fora do alcance;
- não ofereça restos de comida;
- avise familiares e visitas;
- mantenha comandos como “deixa” e “solta” treinados;
- ofereça brinquedos interativos fora da cozinha, sem sugerir que eles substituem supervisão.
Esses itens podem contribuir para reduzir comportamentos de busca por alimentos inadequados e evitar acidentes.
A Consulta Veterinária
Ao descobrir que seu cachorro ingeriu alho, não espere o surgimento de sintomas. Separe a embalagem ou anote os ingredientes do alimento, estime a quantidade ingerida e procure orientação veterinária. Quanto mais cedo o risco for avaliado, maiores serão as possibilidades de definir a conduta adequada para o paciente.

Médica veterinária – CRMV-SP 34029, formada em 2013 e pós-graduada em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais.
Experiência em atendimento clínico para cães e gatos, cirurgia, emergência e internação, fundou o Atende Pet para levar cuidado veterinário de qualidade até a casa dos pacientes em São Paulo e ABC.
É também fundadora da Babis, marca de petiscos naturais para pets e bio enriquecimento canino


